terça-feira, 24 de novembro de 2015

Cidadania de Meia Pataca

O Brasil é privilegiado por ter ao seu dispor em sua própria sociedade cidadãos experts, teórica e, praticamente, disponíveis a encontrar as mais diversificadas soluções profissionais em relação a todos os desastres e que, amiúde,  desgraçam vidas humanas letal e moralmente, o meio ambiente e sua ecologia e, quase a maioria com reprise de mais de duas vezes e por isso vale a desgraça ver de  novo.
Em todos os casos até aqui ocorridos, a imprensa noticia a teoria de doutores, consultores, profissionais com formação academica ou não e que, num rebuscado linguajar, com citação de dispositivos legais inerentes e que norteiam a atividade da qual se originou o desastre, pousam e se comportam como que exercessem sua cidadania na plenitude, em todo e qualquer aspecto dos relacionamentos sociais o que, na realidade, quando o caso requer o comparecimento com responsabilidade e seriedade civil e social aos órgãos legais do estado democrático de direito, aí então a figura muda de tom, a teoria do amplo, convicto saber e conhecimento dos fatos, são substituídos pela incoerência do popular: na teoria é uma situação mas, na hora da realidade entra a figura da covardia, do não me envolve, ou seja, aparece em cena a cidadania de meia pataca, ou mais claramente da contradição do tamanho das desgraças ocorridas.
Não sem razão e, não é atoa que nosso País, ainda se encontra no patamar em que está até aqui e, óbvio, ele é reflexo da cidadania que alavanca seus passos e nele age, trabalha, opina e contribui para a sua ordem e seu progresso.
Em Minas e aqui, suas sociedades amargam a experiência das desastrosas consequências de danos ambientais e destruições de eco-sistemas e ambas produzidas pela mão, pelo ato irresponsáveis do homem e a ineficiente atuação do estado, objetivando o evitar ou reduzir dentro das possibilidades, maiores prejuízos ou destruições tanto da fauna, quanto da flora e mui especialmente para famílias vitimadas pelas catástrofes ou pelas consequências destas. Aqui, até hoje, decorridos mais de um mês as reses ainda estão submersas nos porões do barco naufragado.
O script é sempre o mesmo. Ocorrida a destruição, aí é que vem a baila que as licenças para licenciamento estavam vencidas; as fiscalizações nas condições físicas foram realizadas há dois meses e os laudos técnicos não indicam nenhuma anormalidade, nenhum problema.
Assim é o roteiro que se assiste há anos. Parece que as autoridades nacionais jamais ouviram falar de medidas de higiene e preventivas e, o que é pior, nem nas curativas, pois os óbitos dos bovinos ocorreu há dias e, os danos oriundos, em sua maioria são irreversíveis e, para a situação ter a face de provocar mais indignação na sociedade, os diretores e ou presidentes responsáveis pelos órgãos, como são de indicação politica, ainda permanecem no cargo como se fossem o mais eficientes e capacitados funcionários.
Quanto as indenizações que aqui o estado cobra a título de ressarcimento, multas pecuniárias, proporcionalmente ao dano e tomando como parâmetro comparativo com o que é cobrado lá fora, são  valores irrisórios e assim, o efeito pedagógico, não surte efeito e a rigor, por outro lado, serve de incentivo ao desleixo, pois a sociedade jamais é informada se a cobrança da pena aplicada foi efetivamente quitada e o tesouro encaixou o valor definido.
Com esse espelho a frente da sociedade nacional, só podemos concluir que ainda, permaneceremos cultuando o sonho de sermos um País sério e continuamos a ser um País de meia pataca ou se preferir troque para meio centavo.
Lúcio Reis
Belém, Pe, em 24/11/2015.



Nenhum comentário:

Postar um comentário