Cidadania de Meia Pataca
O Brasil é privilegiado por ter ao
seu dispor em sua própria sociedade cidadãos experts, teórica e, praticamente,
disponíveis a encontrar as mais diversificadas soluções profissionais em relação
a todos os desastres e que, amiúde, desgraçam
vidas humanas letal e moralmente, o meio ambiente e sua ecologia e, quase a
maioria com reprise de mais de duas vezes e por isso vale a desgraça ver
de novo.
Em todos os casos até aqui
ocorridos, a imprensa noticia a teoria de doutores, consultores, profissionais
com formação academica ou não e que, num rebuscado linguajar, com citação de
dispositivos legais inerentes e que norteiam a atividade da qual se originou o
desastre, pousam e se comportam como que exercessem sua cidadania na plenitude,
em todo e qualquer aspecto dos relacionamentos sociais o que, na realidade,
quando o caso requer o comparecimento com responsabilidade e seriedade civil e
social aos órgãos legais do estado democrático de direito, aí então a figura
muda de tom, a teoria do amplo, convicto saber e conhecimento dos fatos, são
substituídos pela incoerência do popular: na teoria é uma situação mas, na hora
da realidade entra a figura da covardia, do não me envolve, ou seja, aparece em
cena a cidadania de meia pataca, ou mais claramente da contradição do tamanho
das desgraças ocorridas.
Não sem razão e, não é atoa que
nosso País, ainda se encontra no patamar em que está até aqui e, óbvio, ele é
reflexo da cidadania que alavanca seus passos e nele age, trabalha, opina e
contribui para a sua ordem e seu progresso.
Em Minas e aqui, suas sociedades
amargam a experiência das desastrosas consequências de danos ambientais e destruições
de eco-sistemas e ambas produzidas pela mão, pelo ato irresponsáveis do homem e
a ineficiente atuação do estado, objetivando o evitar ou reduzir dentro das
possibilidades, maiores prejuízos ou destruições tanto da fauna, quanto da
flora e mui especialmente para famílias vitimadas pelas catástrofes ou pelas
consequências destas. Aqui, até hoje, decorridos mais de um mês as reses ainda estão
submersas nos porões do barco naufragado.
O script é sempre o mesmo.
Ocorrida a destruição, aí é que vem a baila que as licenças para licenciamento
estavam vencidas; as fiscalizações nas condições físicas foram realizadas há
dois meses e os laudos técnicos não indicam nenhuma anormalidade, nenhum problema.
Assim é o roteiro que se assiste
há anos. Parece que as autoridades nacionais jamais ouviram falar de medidas de
higiene e preventivas e, o que é pior, nem nas curativas, pois os óbitos dos bovinos ocorreu há dias e, os danos oriundos, em sua maioria são irreversíveis e, para a situação
ter a face de provocar mais indignação na sociedade, os diretores e ou presidentes responsáveis pelos órgãos,
como são de indicação politica, ainda permanecem no cargo como se fossem o mais
eficientes e capacitados funcionários.
Quanto as indenizações que aqui o
estado cobra a título de ressarcimento, multas pecuniárias, proporcionalmente
ao dano e tomando como parâmetro comparativo com o que é cobrado lá fora, são valores irrisórios e assim, o efeito
pedagógico, não surte efeito e a rigor, por outro lado, serve de incentivo ao
desleixo, pois a sociedade jamais é informada se a cobrança da pena aplicada
foi efetivamente quitada e o tesouro encaixou o valor definido.
Com esse espelho a frente da
sociedade nacional, só podemos concluir que ainda, permaneceremos cultuando o
sonho de sermos um País sério e continuamos a ser um País de meia pataca ou se preferir
troque para meio centavo.
Lúcio Reis
Belém, Pe, em 24/11/2015.
Nenhum comentário:
Postar um comentário